Reposição hormonal após a retirada dos ovários

Reposição hormonal após a retirada dos ovários

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A retirada dos ovários pode trazer mudanças intensas e repentinas ao corpo, especialmente quando acontece antes da menopausa natural. Muitas mulheres têm dúvidas sobre sintomas, reposição hormonal, sexualidade, fertilidade e riscos. Quero explicar esse tema com clareza, acolhimento e responsabilidade, respeitando a história de cada paciente.

O que é a reposição hormonal após a retirada dos ovários

A reposição hormonal é um tratamento que utiliza hormônios semelhantes aos produzidos pelos ovários, principalmente estrogênio e, em algumas situações, progesterona. Seu objetivo é reduzir os efeitos da queda hormonal e proteger a saúde quando essa deficiência acontece de forma precoce ou intensa.

Quando os dois ovários são retirados, ocorre uma menopausa cirúrgica, independentemente da idade. Essa mudança costuma ser mais rápida do que a menopausa natural, pois a produção ovariana de estrogênio e progesterona é interrompida de maneira abrupta.

Não existe uma fórmula única indicada para todas as mulheres. Eu avalio a idade, o motivo da cirurgia, a presença do útero, os sintomas, os antecedentes pessoais e familiares, os riscos individuais e os objetivos de cada paciente antes de propor qualquer tratamento.

Por que os ovários podem ser retirados

A retirada dos ovários, chamada ooforectomia, pode ser realizada para tratar ou prevenir doenças específicas. Entre as possibilidades estão cistos complexos, tumores, endometriose grave, infecções, torções ovarianas ou cirurgias redutoras de risco em mulheres com alterações genéticas relacionadas ao câncer.

Em algumas cirurgias, os ovários são retirados junto com o útero e as trompas. Em outras, apenas um ovário é removido, permitindo que o outro continue produzindo hormônios e, quando possível, mantendo a fertilidade. Por isso, os efeitos dependem muito da extensão do procedimento.

Também é importante diferenciar a retirada dos ovários realizada por uma doença da cirurgia preventiva, indicada após avaliação genética e familiar. A causa da operação influencia a segurança da reposição hormonal, especialmente quando existe histórico de câncer sensível a hormônios.

Quando a reposição hormonal pode ser indicada

A reposição hormonal costuma ser considerada para mulheres que tiveram os dois ovários retirados antes da idade esperada para a menopausa, principalmente quando não existem contraindicações. Nessa situação, a falta hormonal prolongada pode afetar ossos, coração, cérebro, sexualidade e qualidade de vida.

O tratamento também pode ser indicado para controlar ondas de calor, suor noturno, insônia, irritabilidade, ressecamento vaginal, dor nas relações, redução da libido e outros sintomas que interferem na rotina. A decisão deve equilibrar benefícios, riscos e preferências pessoais.

Em mulheres mais jovens, que passaram por menopausa cirúrgica, frequentemente discutimos a manutenção do tratamento até próximo da idade média da menopausa natural, em torno dos 50 anos. Essa não é uma regra fixa: a duração deve ser individualizada e reavaliada periodicamente.

Benefícios, riscos e situações que exigem cautela

Quando bem indicada, a reposição hormonal pode aliviar sintomas vasomotores, favorecer o sono, melhorar o ressecamento genital e ajudar na preservação da massa óssea. Em mulheres que entram precocemente na menopausa, também pode contribuir para reduzir consequências da deficiência hormonal prolongada.

Os riscos variam conforme o tipo de hormônio, a dose, a via de administração, a idade, o tempo desde a menopausa e as condições de saúde. Podem incluir sangramento, sensibilidade mamária, retenção de líquidos, alterações de humor e, em situações específicas, aumento do risco de trombose.

É necessário cuidado especial diante de câncer de mama ou de endométrio, sangramento vaginal sem explicação, doença hepática importante, trombose ou embolia prévias, infarto, acidente vascular cerebral e algumas doenças cardiovasculares. Cada caso precisa ser discutido individualmente, sem decisões baseadas em informações genéricas.

Como a retirada dos ovários afeta o organismo

A queda repentina do estrogênio pode provocar ondas de calor, palpitações, ansiedade, alterações do sono, dificuldade de concentração e mudanças no humor. Algumas mulheres percebem os sintomas imediatamente; outras apresentam manifestações mais discretas, que surgem gradualmente ao longo dos meses.

O estrogênio participa da manutenção da massa óssea. Quando sua produção diminui precocemente, pode ocorrer perda óssea acelerada, aumentando o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas. Por esse motivo, a saúde dos ossos merece acompanhamento desde o início.

A deficiência hormonal também pode afetar a mucosa vaginal e urinária, causando secura, ardência, urgência para urinar, infecções recorrentes e dor durante a relação sexual. Esses sintomas são frequentes, mas não precisam ser aceitos como inevitáveis ou permanecer sem tratamento.

Fertilidade, sexualidade e bem-estar emocional

Quando os dois ovários são retirados, a produção de óvulos é interrompida e a gestação espontânea deixa de ser possível. Se a cirurgia ainda não foi realizada e existe desejo de engravidar, é importante conversar previamente sobre preservação da fertilidade, como congelamento de óvulos ou embriões.

A reposição hormonal não tem a função de restaurar a fertilidade, mas pode ajudar a manter características hormonais importantes para o organismo. Quando o útero permanece, a estratégia poderá ser diferente daquela utilizada após a retirada do útero, porque o endométrio precisa ser protegido.

A sexualidade também merece espaço na consulta. Ressecamento, dor, redução da libido, insegurança com o corpo e alterações emocionais podem afetar a intimidade. Eu procuro ouvir cada mulher sem julgamentos e combinar recursos hormonais, lubrificantes, hidratantes vaginais, fisioterapia e apoio psicológico quando necessário.

Como é feita a avaliação e quais opções existem

Começo pela história clínica detalhada, incluindo o motivo da cirurgia, a idade, os sintomas, o histórico menstrual, doenças anteriores, medicamentos, casos de câncer na família e fatores de risco para trombose ou problemas cardiovasculares. Também conversamos sobre desejos, receios e qualidade de vida.

A reposição pode ser feita com comprimidos, adesivos, géis, sprays ou implantes, conforme a indicação e a disponibilidade. Para sintomas exclusivamente vaginais, existem estrogênios locais em baixas doses, hidratantes e outras opções. A escolha considera absorção, praticidade, eficácia e segurança individual.

Se a mulher possui útero, geralmente é necessário associar progesterona ou um progestagênio ao estrogênio para proteger o endométrio. Antes e durante o tratamento, podem ser solicitados pressão arterial, avaliação clínica, mamografia conforme a faixa etária, exames ginecológicos, perfil metabólico e densitometria óssea quando indicada.

Cuidados no acompanhamento em meu consultório

Em meu consultório, acompanho a resposta ao tratamento de forma próxima, observando sintomas, sono, disposição, sexualidade, sangramentos, pressão arterial e possíveis efeitos adversos. A dose pode ser ajustada conforme a evolução, sempre buscando a menor quantidade eficaz para cada objetivo.

A reposição hormonal não substitui os cuidados preventivos. Mantenho atenção ao rastreamento do câncer de mama e do colo do útero, à vacinação, à saúde cardiovascular, ao controle do colesterol, à glicemia, ao peso e à prevenção da perda óssea.

Recomendo atividade física regular, exercícios de força, alimentação equilibrada, ingestão adequada de cálcio e vitamina D, sono consistente, abandono do cigarro e consumo moderado de álcool. Essas medidas fortalecem o tratamento e ajudam a preservar autonomia, energia e bem-estar ao longo dos anos.

Quando procurar avaliação especializada

Procure uma ginecologista se apresentar ondas de calor intensas, insônia persistente, tristeza, ansiedade, secura vaginal, dor nas relações, queda importante da libido ou sintomas urinários depois da retirada dos ovários. Não é necessário esperar que as manifestações comprometam completamente sua rotina.

Durante a reposição, qualquer sangramento vaginal inesperado, dor no peito, falta de ar, inchaço ou dor em uma perna, alteração neurológica súbita ou dor de cabeça muito diferente deve ser avaliado rapidamente. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente ao tratamento.

Uma consulta individualizada ajuda a entender se a reposição é apropriada, qual modalidade oferece melhor equilíbrio entre benefícios e riscos e por quanto tempo faz sentido mantê-la. Meu objetivo é que você participe das decisões com informação, segurança e respeito à sua história.

Agende seu cuidado personalizado

Se você retirou os ovários ou está se preparando para essa cirurgia, agende sua consulta em meu consultório pelo WhatsApp (11) 91675-1616 ou ligue para o mesmo número. Vamos conversar com calma sobre sintomas, opções, exames e caminhos para você viver essa fase com mais saúde e confiança.

Dra Christiane Simioni

Dra Christiane Simioni

CRM-SP 111503, RQE 101130, RQE 1011301
"Médica ginecologista, obstetra e integrante da equipe de Medicina Fetal do Hospital Israelita Albert Einstein. Professora do curso de pós-graduação da Universidade Albert Einstein."

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