- O que acontece com o corpo no puerpério
- Como começa a produção de leite
- Pega, posição e conforto durante a mamada
- Frequência das mamadas e comportamento do bebê
- Cuidados com as mamas nos primeiros dias
- Mudanças emocionais e sentimentos comuns
- Sinais de alerta para a mãe e o bebê
- Avaliação e acompanhamento individualizado
- Agende seu cuidado no puerpério
Os primeiros dias após o nascimento do bebê podem misturar alegria, cansaço, insegurança e muitas dúvidas. Enquanto o corpo se recupera do parto, a amamentação começa a ser construída com aprendizado, presença e acolhimento, sem cobranças e respeitando o tempo de cada mãe.

O que acontece com o corpo no puerpério
O puerpério começa logo após o parto e envolve uma intensa adaptação física e emocional. O útero inicia seu retorno ao tamanho anterior, podem ocorrer cólicas e sangramento vaginal, chamado lóquios, enquanto os níveis hormonais mudam rapidamente e influenciam o humor, o sono e a disposição.
Também é comum sentir sensibilidade na região íntima, desconforto após uma cesariana ou dificuldade para encontrar posições confortáveis. O corpo está cicatrizando e, ao mesmo tempo, trabalhando para produzir leite, sustentar o bebê e responder a uma rotina completamente nova.
Eu gosto de reforçar que não existe um único jeito de viver esse período. Algumas mulheres se sentem mais dispostas, enquanto outras precisam de mais tempo, ajuda e descanso. Pedir apoio para tarefas domésticas, alimentação e cuidados com o bebê é uma atitude de proteção, não sinal de fraqueza.
Como começa a produção de leite
Nos primeiros dias, o bebê recebe o colostro, um líquido geralmente amarelado e produzido em pequena quantidade, mas muito concentrado em nutrientes e componentes de defesa. Mesmo parecendo pouco, ele é adequado ao estômago pequeno do recém-nascido e tem grande importância para sua adaptação.
Entre o segundo e o quinto dia, costuma ocorrer a apojadura, conhecida como descida do leite. As mamas podem ficar mais cheias, quentes e pesadas. Esse processo varia de mulher para mulher e pode ser influenciado pelo parto, pela frequência das mamadas e pelas condições clínicas da mãe e do bebê.
A sensação de pouco leite é uma preocupação frequente, mas o volume visível nem sempre representa a produção real. Fraldas molhadas, evacuações, comportamento após as mamadas e acompanhamento do peso são parâmetros mais confiáveis para avaliar se o bebê está recebendo o suficiente.

Pega, posição e conforto durante a mamada
Uma pega adequada acontece quando o bebê abocanha não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola. A boca deve estar bem aberta, os lábios voltados para fora e o queixo próximo à mama. A sucção não deve provocar dor intensa ou persistente.
Existem diferentes posições para amamentar, como sentada, deitada ou invertida. O mais importante é manter o bebê alinhado, com cabeça, pescoço e tronco na mesma direção, barriga voltada para o corpo materno e nariz livre para respirar.
Eu recomendo que a mãe busque conforto antes de iniciar: apoie as costas, relaxe os ombros e aproxime o bebê da mama, sem inclinar o corpo para frente. Quando a posição é ajustada, muitas dificuldades diminuem e a mamada tende a se tornar mais tranquila.
Frequência das mamadas e comportamento do bebê
Nos primeiros dias, o bebê pode mamar muitas vezes, inclusive em intervalos curtos. A recomendação geral é oferecer o peito em livre demanda, observando sinais de fome, como movimentação, procura pela mama, mãos na boca e sons, sem esperar necessariamente o choro.
É esperado que o recém-nascido alterne períodos de sono e vigília, fazendo mamadas longas ou breves. Cada bebê apresenta um ritmo, e a duração isolada de uma mamada não determina se ela foi eficaz. A avaliação deve considerar o conjunto dos sinais clínicos.
Para favorecer a amamentação, evite estabelecer horários rígidos sem orientação profissional. Também é importante despertar o bebê para mamar quando houver recomendação específica, especialmente em casos de prematuridade, baixo peso, icterícia ou dificuldade de ganho ponderal.

Cuidados com as mamas nos primeiros dias
As mamas podem apresentar ingurgitamento, quando ficam muito cheias, endurecidas e doloridas. Oferecer o peito com frequência, garantir uma boa pega e realizar ordenha manual apenas para aliviar a pressão podem ajudar. Retirar leite em excesso pode estimular uma produção maior do que o necessário.
Após as mamadas, não é obrigatório lavar os mamilos ou utilizar produtos específicos. Pequena quantidade do próprio leite pode ser espalhada na região e deixada secar naturalmente. Sutiãs confortáveis, com boa sustentação e sem compressão exagerada, também contribuem para o bem-estar.
Fissuras, ardência e dor geralmente indicam que a pega ou a posição precisam ser avaliadas. Pomadas, conchas e outros recursos devem ser utilizados com orientação, porque cada situação exige uma conduta. Amamentar não deve ser sinônimo de sofrimento contínuo ou de suportar dor intensa.
Mudanças emocionais e sentimentos comuns
Oscilações emocionais são frequentes no puerpério. A mulher pode se sentir feliz, ansiosa, irritada, sensível ou insegura em poucas horas. O cansaço, a privação de sono, a recuperação física e a responsabilidade pelo bebê tornam esse período especialmente exigente.
Uma fase de choro fácil e maior sensibilidade pode acontecer nos primeiros dias, geralmente com melhora gradual. Quando a tristeza é intensa, persiste por mais tempo, vem acompanhada de desesperança, culpa excessiva ou dificuldade de se vincular ao bebê, é necessário procurar avaliação.
Pensamentos de machucar a si mesma ou o bebê exigem ajuda imediata. Nessa situação, a mulher não deve permanecer sozinha. Familiares precisam acolher sem julgamentos e buscar atendimento de urgência. Cuidar da saúde mental materna também é uma forma essencial de cuidar da criança.

Sinais de alerta para a mãe e o bebê
A mãe deve buscar avaliação quando apresentar febre, dor abdominal forte, sangramento vaginal intenso, secreção com odor desagradável, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça intensa, alterações visuais ou inchaço súbito. Esses sinais podem indicar complicações que precisam de atendimento rápido.
Nas mamas, vermelhidão localizada, calor, dor progressiva, endurecimento persistente e febre podem sugerir inflamação ou infecção. A amamentação geralmente pode ser mantida, mas a conduta deve ser individualizada por uma profissional, evitando interrupções desnecessárias ou automedicação.
O bebê precisa ser avaliado se estiver muito sonolento, recusando várias mamadas, urinando pouco, apresentando piora da icterícia, dificuldade para respirar, febre, vômitos repetidos ou ausência de ganho de peso. Na dúvida, é mais seguro procurar orientação do que esperar a situação se agravar.
Avaliação e acompanhamento individualizado
Durante uma consulta ginecológica e obstétrica, eu avalio a recuperação do parto, o sangramento, a cicatrização, a dor, a pressão arterial, o estado emocional e as principais dificuldades da amamentação. Também converso sobre contracepção, retorno gradual às atividades e cuidados com a saúde materna.
Quando necessário, o acompanhamento pode envolver pediatra, consultora de amamentação, psicóloga ou outros profissionais. Em meu consultório, em São Paulo, valorizo uma escuta cuidadosa para compreender a realidade de cada mulher e construir orientações possíveis para sua rotina.
Não existe uma cobrança para que todas as mães vivenciem o puerpério da mesma maneira. Meu objetivo é oferecer informação segura, acolhimento e acompanhamento próximo, respeitando escolhas, limites e necessidades individuais, para que a mulher se sinta amparada durante essa transição.
Agende seu cuidado no puerpério
Se você está enfrentando dor, insegurança, dificuldades para amamentar ou deseja acompanhar sua recuperação com tranquilidade, agende uma consulta pelo WhatsApp (11) 91675-1616 ou ligue. Em meu consultório, ofereço cuidado ginecológico e obstétrico individualizado, acolhedor e baseado em evidências.